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Lar Cooperativa Agroindustrial: Do resíduo à energia

Ao transformar sobras do beneficiamento de grãos em combustível de alto desempenho, a Lar Cooperativa prova que inovação também é enxergar valor no descarte

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Cendtro Administrativo da Lar Cooperativa Agroindustrial em Medianeira (PR) · Foto: Divulgação / Lar

Esse conteúdo é parte integrante da edição 353 da revista AMANHÃ. Acesse a publicação completa clicando aqui.

Em um setor onde a escala dita o ritmo da produtividade, a Lar Cooperativa Agroindustrial decidiu mudar o foco da balança. A gigante paranaense, que hoje exporta para mais de cem países, encontrou no próprio resíduo a chave para elevar sua eficiência operacional a um novo patamar. O que antes era um desafio logístico e ambiental, hoje se converte em combustível de alto desempenho, provando que a verdadeira inovação nasce quando a estratégia encontra a sustentabilidade.

Ao focar para a escala da operação, que processa volumes imensos de soja e milho, o desafio de lidar com o que sobra desse beneficiamento sempre foi uma questão central. Afinal, o que fazer com vagens, sabugos e palhas que, somados, representam uma parcela considerável da produção? Por muito tempo, a resposta foi o descarte. Mas, na Lar, o cenário mudou quando a visão sobre esse material foi transformada. O que antes era tratado como um passivo ambiental, um gerador de odores e riscos para o entorno, passou a ser tratado como uma oportunidade: transformar resíduos em energia.

Os resíduos passam por um processo de transformação que inclui secagem, moagem e, finalmente, a compactação em briquetes. Sem nenhum aditivo químico, esses blocos apresentam um poder calorífico impressionante, entre 4.500 e 5.000 kcal, tornando-se o combustível ideal para as caldeiras e secadores da própria cooperativa.

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Briquetes prontos para alimentar as caldeiras e queimadores de secadores Divulgação / Lar

Tudo começa logo após a pré-limpeza dos grãos, quando os resíduos passam por um rigoroso processo de secagem em secadores rotativos até atingirem o nível ideal de 14% de umidade. Depois, o material segue para o resfriamento em silos ventilados e passa por uma etapa crucial de separação para garantir que nenhum grão remanescente seja desperdiçado. O próximo passo envolve a moagem em moinhos a martelo antes que a matéria-prima seja finalmente prensada em briquetes de formatos e tamanhos definidos, prontos para alimentar as caldeiras e queimadores de secadores.

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A transformação dos resíduos trouxe eficiência, sustentabilidade e valor econômico à operação da Lar Divulgação / Lar

O gerente da divisão operacional de grãos, Antonio Martini, ressalta que o desafio foi grande, especialmente para garantir a padronização e a eficiência dessa biomassa. Foi preciso importar tecnologia de ponta da Dinamarca e da Alemanha e adaptar o fluxo operacional.

"Dessa forma, um material que antes representava um passivo ambiental passou a ser tratado como recurso energético, agregando eficiência, sustentabilidade e valor econômico à operação."

Antonio Martini, gerente da divisão operacional de grãos da Lar

Para as unidades operacionais, a mudança trouxe estabilidade térmica e um controle muito mais preciso do processo.

A gerente de gestão da qualidade, meio ambiente, inovação e sustentabilidade, Márcia Pessini, destaca que a Lar envolve associados e funcionários de forma ativa em inciativas como esta.

"O Programa de Ideias, por exemplo, é um canal estruturado para acolher sugestões e experiências. São ideias que nascem no campo, nas unidades, nas indústrias e contribuem para melhorar processos e ampliar nossa capacidade de transformação."

Márcia Pessini, gerente de gestão da qualidade, meio ambiente, inovação e sustentabilidade da Lar

Além do Programa de Ideias, a cooperativa utiliza grupos de melhoria e comitês multidisciplinares para manter o olhar atento às tendências.

O diretor-presidente da Lar, Irineo da Costa Rodrigues, afirma que a inovação está diretamente ligada à forma como a cooperativa cresce e se mantém competitiva. Ele explica que, em uma organização com atuação tão ampla, inovar significa encontrar soluções que tornem a operação mais eficiente, segura e preparada para o futuro.

"A inovação, na Lar, é tratada como uma prática contínua, conectada à estratégia da cooperativa e à realidade de cada área do negócio."

Irineo da Costa Rodrigues, diretor-presidente da Lar