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Crianças comportadas, ensaios eficientes

Uso de IA generativa para substituir crianças e bebês em ensaios fotográficos resultou em um aumento de 60% no tráfego ao catálogo infantil das Lojas Renner

Crianças comportadas, ensaios eficientes

Esse conteúdo é parte integrante da edição 353 da revista AMANHÃ. Acesse a publicação completa clicando aqui.

Em ensaios fotográficos, alguns modelos são difíceis de lidar. Eles têm um comportamento imprevisível, sempre têm pouco tempo para ficar no set e ainda impõem regras rígidas sobre autorizações, acompanhamentos e outras singularidades. E por isso é tão difícil fotografar crianças.

Os cuidados que essa atividade exige, por lidar com seres humanos ainda muito longe de estarem preparados para o mundo, tornam o processo mais sensível, demorado e caro. Bebês não entendem, e nem se importam, com produtividade. E nem deveriam. Porém, o resultado disso para as varejistas de moda é que a publicidade de um catálogo infantil costuma ser complexa e imprevisível — e com muito retrabalho. Ou ainda, exigir uma solução mais simples, mas menos interessante: fotografar somente as peças de vestuário.

Foi para resolver esse desafio que a Lojas Renner desenvolveu uma solução de IA generativa aplicada à produção de conteúdo digital. Baseada em modelos abertos e engenharia própria, a plataforma foi construída de forma colaborativa por times técnicos e de negócio. E os resultados já aparecem. Após a criação em escala deste tipo de conteúdo com IA, a empresa registrou um aumento de 60% no acesso dos produtos infantis. A solução também atende a outro desafio do varejo digital: acompanhar a velocidade do e-commerce com uma produção de conteúdo visual mais ágil, eficiente e escalável, além de apoiar na redução de atrito na jornada do cliente.

Esse movimento faz parte de uma estratégia mais ampla de inovação na Lojas Renner, onde a inteligência artificial passou a permear praticamente toda a cadeia de valor — do desenvolvimento de produtos à interação com o consumidor. "Temos utilizado a inteligência artificial para ampliar a capacidade de atuação dos nossos times e viabilizar iniciativas que antes não seriam possíveis. O caso dos conteúdos infantis ilustra bem esse potencial: trata-se de uma entrega que, na prática, só se tornou viável graças ao uso da tecnologia.", declara o Chief Digital Officer (CDO) da companhia, Flavio Reis, e acrescenta que a empresa já testa o uso de vídeos produzidos com IA na jornada.

"Enquanto a IA apoia a produção de conteúdo mais escalável, nossas equipes podem concentrar esforços nas iniciativas de maior valor criativo e estratégico. Tudo isso é feito com transparência e responsabilidade, incluindo a sinalização ao consumidor quando há uso de IA nas páginas de produto",

Flavio Reis, Chief Digital Officer das Lojas Renner

A tecnologia é vista como complementar ao trabalho humano. A empresa estruturou um programa abrangente de IA, sustentado por governança robusta e acompanhamento executivo contínuo, organizado em três grandes frentes: experiência do cliente, produto e Supply Chain, e produtividade interna. As iniciativas são apoiadas por uma base sólida de ciência de dados, engenharia, analytics, visualização e governança — disciplinas desenvolvidas e amadurecidas ao longo dos últimos anos, que asseguram escala, consistência e responsabilidade na adoção da tecnologia.

Flavio Reis, Chief Digital Officer das Lojas Renner Lojas Renner/Divulgação

Inovação a todo vapor

Além de dobrar, no último ano, o volume de vendas influenciadas por recomendações personalizadas, a Renner segue avançando na incorporação de inovações que melhoram a jornada do cliente. Um dos destaques é o provador virtual, disponível nos canais digitais da marca. Com ele, os clientes conseguem visualizar as peças em si mesmos a partir do envio de uma foto, de forma simples, rápida e intuitiva. Ao aproximar o ambiente digital da experiência de experimentação tradicional, a empresa consegue reduzir incertezas, aumentar o engajamento e tornar a jornada de compra digital mais fluida e personalizada. Entre dezembro de 2025 e junho de 2026, mais de um milhão de clientes utilizaram a solução. Nesse período, observou-se que os clientes que interagiram com o provador virtual apresentaram um ticket médio duas vezes maior do que aqueles que tiveram acesso ao mesmo sortimento de produtos, mas não utilizaram a funcionalidade.

Outra iniciativa de destaque é a Re, agente especialista de moda baseada em IA lançada recentemente e ainda em versão Beta para cerca de 350 mil clientes. Diferentemente das IA generalistas, a Re entende de moda e funciona como uma personal stylist. Ela avalia contextos de uso, faz perguntas quando necessário, considera o estilo, as preferências e o histórico de relacionamento com a marca para interpretar o desejo de cada cliente, combinar peças e acessórios e ajudar na tomada de decisões com recomendações mais assertivas e individualizadas para diferentes situações.

Do ponto de vista de eficiência operacional, a IA apoia a empresa em toda a cadeia, desde a captura de tendências de moda em tempo real, na definição e distribuição do sortimento ideal por loja, até a automação da operação logística. Na gigante da moda, o que guia a inovação, além das necessidades do negócio, é o compromisso de preservar a integridade da marca, a confiança dos clientes e a excelência da experiência oferecida. "À medida que a tecnologia evolui, qualquer expansão seguirá os mesmos critérios", relata o executivo. Mas, para a Renner, inovar significa potencializar capacidades sem perder de vista aquilo que é essencial: manter as pessoas no centro da criação.