Proporção de endividados cai pela primeira vez no ano
Tempo médio de atraso atinge o maior patamar desde novembro de 2024

O percentual de famílias brasileiras com dívidas a vencer recuou para 81,7% em setembro de 2026, registrando a primeira queda do indicador no ano. Acompanhando esse movimento, a taxa de inadimplência — que mensura a proporção de famílias com alguma parcela em atraso — também cedeu, com uma redução de 0,3 ponto percentual em relação a agosto, marcando 29,6%, o menor patamar desde o mês de março. Os dados integram a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada mensalmente e divulgada nesta quinta-feira (8) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O cenário atual reflete um arrefecimento da inadimplência e uma composição mais favorável da estrutura do orçamento doméstico. A parcela de consumidores que afirmam não possuir nenhum tipo de dívida (como cartão de crédito, cheque especial, empréstimos ou financiamentos) subiu para 18,1% no mês. Em paralelo, o grupo que se avalia como "muito endividado" teve ligeira redução, fechando em 17,3%. A CNC pondera que essa percepção de endividamento tem caráter subjetivo, refletindo fatores culturais e avaliação da própria família sobre seu orçamento, o que não significa, necessariamente, uma situação de superendividamento.
Outro número que indica alívio financeiro é o índice de consumidores que declaram não ter condições de quitar suas contas em atraso. O indicador permaneceu estável em 12,5%, interrompendo uma sequência de dois meses consecutivos de alta. A medida provisória que impediu a operação das bets virtuais no Brasil, anunciada pelo governo federal no fim do mês, ainda não teve seu efeito econômico refletido na Peic de setembro, mas poderá ser aferido em outubro, caso se mantenha.
Apesar da retração do volume geral de famílias inadimplentes, o aprofundamento das dívidas já existentes acende um sinal de alerta. O tempo médio de atraso avançou pelo segundo mês consecutivo e chegou a 65,3 dias, configurando o patamar mais longo desde novembro de 2024 (quando estava em 65,5 dias). De acordo com a pesquisa, essa piora ocorreu impulsionada pelas dívidas com mais de 90 dias de atraso, que hoje representam 48,9% do total de contas vencidas.