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Copom mantém a taxa Selic em 13,75% ao ano

Cenários doméstico e externo exigem cautela

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O Copom, do Banco Central, voltará a se reunir nos dias 8 e 9 de dezembro · Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime. De junho de 2025 a março de 2026, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. Desde abril, o Copom cortou os juros cinco vezes, num cenário de queda da inflação.

“​O ambiente externo tornou-se mais adverso em função do prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio, com impactos altistas sobre o preço do petróleo e derivados, e da política monetária mais restritiva nas economias avançadas. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, revelam os membros do Comitê logo no início do comunicado da penúltima reunião deste ano.

“Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião aponta para uma moderação mais acentuada da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos. O mercado de trabalho permanece resiliente, porém apresentando sinais de desaquecimento na margem. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes aceleraram, situando-se acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta”, observa o BC.

“O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”, alerta o Copom.

“Pelos dados de inflação e PIB, o BC teria liberdade para cortar, mas pelo juro futuro, acredito que não fará, já que o mercado poderá simplesmente pedir mais juro para financiar o governo, o que seria bem pior”, avalia Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, lembrando da queda da bolsa a partir de 26 de outubro.

“Acredito que uma indicação de equipe econômica que agrade o mercado possa acalmar um pouco, mas não sei se a ponto de abrir espaço para corte de juros. Se nada for feito e nem sinalizado em relação a cortes, provavelmente o Brasil terá problemas bem grandes para se financiar, já que o mercado embutirá todo tipo de risco nos juros do tesouro e o Banco Central ficará refém dos movimentos do governo. O mercado, o Banco Central e o governo sempre caminham em linhas paralelas, portanto, o que um faz, impacta o sistema como um todo”, completa o especialista. O Copom voltará a se reunir nos dias 8 e 9 de dezembro.

Meta contínua
Pelo sistema de meta contínua em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

No modelo de meta contínua, a meta passa ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em novembro deste ano, a inflação desde dezembro de 2025 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em dezembro deste ano, o procedimento se repete, com apuração a partir de janeiro do mesmo ano. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

No último relatório de política monetária, divulgado no fim de setembro pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve em 5,2% a previsão para o IPCA este ano, mas a estimativa pode ser revista caso a alta do dólar persista.