Brasil

Confiança do comércio cai pelo quarto mês seguido em outubro

Índice atinge menor patamar desde maio de 2021

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Os empresários do comércio chegam ao último e mais atrativo trimestre para o setor com menos planos de expansão e contratação · Foto: Agência Brasil/Divulgação

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), calculado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgado nesta quinta-feira (29), registrou um recuo de 2,7% em outubro.

Essa foi a quarta queda consecutiva e a mais intensa desde julho, já descontados os efeitos sazonais. Com este resultado, o indicador reduziu para os 96,7 pontos, ficando abaixo do nível de neutralidade e atingindo o valor mais baixo desde maio de 2021, quando marcou 94,5 pontos.

De acordo com a CNC, o índice reflete a incerteza com os rumos da economia e a concorrência internacional, que inibem os planos de investimento dos empresários a poucas semanas do fim do ano.

O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, avalia a insegurança dos empresários no começo do trimestre em que deveriam estar ampliando seus investimentos.

“O comércio acende um alerta para todo o país ao entrar no período mais lucrativo do calendário, sob cautela. Quando o empresário pisa no freio das contratações e dos investimentos, toda economia desacelera, reflexo direto das incertezas nos âmbitos fiscal e monetário que travam as decisões de negócios neste último trimestre”

— José Roberto Tadros

Intenção de menos contratações temporárias

A retração impactou diretamente a preparação para as vendas de fim de ano. A intenção de contratação de funcionários caiu 2,8% no mês, sendo o principal componente da queda no subíndice de investimentos, que manteve a trajetória de redução e recuou 2,4% em outubro, fixando-se nos 98,9 pontos. Na comparação anual, as intenções de investimento apresentam recuo de 1,8%.

A incerteza da economia brasileira, fruto da instabilidade que marcou o período eleitoral, somada às incertezas nos âmbitos fiscal e monetário, afetou diretamente estes indicadores. Paralelamente, os investimentos na própria empresa também sofreram uma redução de 2,7% face ao mês anterior e de 4,4% na variação anual.

Avaliações negativas do presente

O pessimismo dos empresários reflete-se, sobretudo, nas condições atuais, subíndice que caiu pelo sexto mês consecutivo (-5,5%) e atingiu os 68,2 pontos, o nível mais baixo da pesquisa.

Em outubro, a maior parte dos gestores (78,2%) afirmou observar uma piora no momento atual da economia, o maior percentual de pessimismo registado desde maio de 2021. As avaliações sobre o setor de atuação (6,1%) e sobre a própria empresa (4,5%) também registaram quedas expressivas na margem.

O impacto é particularmente severo no segmento de bens semiduráveis (roupas, calçados, tecidos e acessórios), que tradicionalmente impulsiona o consumo no último trimestre. Segundo a análise da pesquisa, este movimento foi diretamente influenciado pelo fim do imposto de importação (conhecido como “taxa das blusinhas”), que incentivou o comércio exterior em detrimento do mercado interno.

No campo das expectativas, que projeta o futuro em curto prazo, a maioria dos empresários (58,1%) ainda tem perspectiva de uma melhoria econômica; contudo, o indicador caiu pelo segundo mês consecutivo. O subíndice geral de expectativas recuou 1,3% no mês e 1,1% em relação a outubro do ano passado.