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Brasil

BC vê recuperação parcial da economia

BC vê recuperação parcial da economia

Espaço para uso da política monetária deve ser pequeno

Em ata, Copom afirma que inflação deve se elevar no curto prazo

A economia brasileira apresenta recuperação parcial, assim como ocorre em outros países. A avaliação é do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), na ata da última reunião, divulgada nesta terça-feira (22). No último dia 16, o Copom decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 2% ao ano. "Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores recentes sugerem uma recuperação parcial, com padrão similar à que ocorre em outras economias, onde os setores mais diretamente afetados pelo distanciamento social permanecem deprimidos", evidencia o Copom.

Para o Comitê, os programas governamentais de recomposição de renda, como o auxílio emergencial, "têm permitido uma retomada relativamente forte do consumo de bens duráveis e do investimento". "Contudo, várias atividades do setor de serviços, sobretudo aquelas mais diretamente afetadas pelo distanciamento social, permanecem bastante deprimidas. Prospectivamente, a pouca previsibilidade associada à evolução da pandemia e à necessária redução nos auxílios emergenciais a partir do final desse ano aumentam a incerteza sobre a velocidade de retomada da atividade econômica. O comitê ponderou que esta imprevisibilidade e os riscos associados à evolução da pandemia podem implicar um cenário doméstico caracterizado por uma retomada ainda mais gradual da economia", avalia.

Na ata, o Copom ressalta que a inflação ao consumidor deve se elevar no curto prazo. "Contribuem para esse movimento a alta temporária nos preços dos alimentos e a normalização parcial do preço de alguns serviços em um contexto de recuperação dos índices de mobilidade e do nível de atividade. Os preços administrados devem apresentar variação contida, destacando-se o recuo nas tarifas de plano de saúde em setembro e a queda projetada para o preço da gasolina a partir de outubro", projeta o BC. Em agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,24%, a maior taxa para o mês desde 2016 (0,44%). O IPCA acumulou taxas de inflação de 0,7% no ano e de 2,44% em 12 meses. Em agosto, a inflação foi influenciada principalmente pelo aumento do custo dos transportes (0,8%) e dos alimentos (0,7%).

Taxa de juros
O Comitê reconhece que pode haver necessidade de reduções na taxa básica de juros, a Selic, mas por "questões prudenciais e de estabilidade financeira", se houver mais cortes, serão pequenos e de graduais. "O Copom entende que a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado [taxa Selic baixa], mas reconhece que, devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno. Consequentemente, eventuais ajustes futuros no atual grau de estímulo ocorreriam com gradualismo adicional e dependerão da percepção sobre a trajetória fiscal [contas públicas sob controle], assim como de novas informações que alterem a atual avaliação do Copom sobre a inflação prospectiva", avalia o Copom.

Com Agência Brasil