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Brasil

Após breve melhora, setor de veículos enfrenta nova retração no trimestre

Após breve melhora, setor de veículos enfrenta nova retração no trimestre

Vendas de automóveis sofreram queda de 5,4% sobre o mesmo período no ano passado

O possível aumento das transmissões do vírus e a letargia do governo, segundo a Anfavea, mantém o cenário ameaçador, abrindo espaço para novas paralisações de fábricas

As vendas de automóveis fecharam o primeiro trimestre do ano com um desempenho frustrante. A recuperação que vinha se estabelecendo desde a metade de 2020 foi freada por uma recente retração de 23% em relação ao trimestre anterior, com as 527,9 mil unidades licenciadas representando uma queda de 5,4% sobre o mesmo período do ano passado.

Para o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, esse é um resultado que reflete três pontos de grande preocupação no setor. Em primeiro lugar a situação alarmante da pandemia no país, que só deve se estabilizar a médio prazo com a aceleração da vacinação; depois os gargalos globais na produção, sobretudo de componentes eletrônicos, que devem perdurar ao longo do ano e não podem ser controlados; e, por fim, um conjunto de fundamentos econômicos, que, já fragilizados pelo coronavírus, ainda são ameaçados por ruídos políticos. Na visão de Moraes, mesmo que a pandemia tenha dificultado a tomada de decisões e nublado os caminhos a serem seguidos, os principais pontos de ação a seguir são muito claros. "Precisamos chamar a responsabilidade de todas as esferas de poder para um esforço de vacinação e para o controle das contas públicas, além do destravamento das pautas reformistas no Congresso Nacional", defendeu durante apresentação do balanço mensal da entidade nesta quarta-feira (7).

O melhor resultado no acumulado do trimestre para o setor foi o das exportações, que chegaram a 95,8 mil unidades, volume 7,6% superior ao do início de 2020. Também chama a atenção o nível de empregos diretos – 104,7 mil postos entre as montadoras. No ano que se passou desde o início da pandemia, houve cerca de 2,3 mil perdas de vagas, o que representa cerca de 2,1% da força de trabalho. Gustavo Bonini, vice-presidente da Anfavea, enumera seis aspectos econômicos como desafios para os próximos meses: inflação, juro, desemprego, teto fiscal, confiança e o fator cambial. "São aspectos que não se restringem a segmentos específicos do setor automotivo e impactam toda a cadeia de suprimentos e logística", alerta.

O possível aumento das transmissões do vírus e a letargia do governo, segundo Moraes, mantém o cenário ameaçador, abrindo espaço para novas paralisações de fábricas, mais danos para a cadeia de fornecimento e outros fechamentos de multinacionais como a Ford. "Defendemos sempre o Brasil lá fora para nossas matrizes, pedindo novos investimentos, afirmando que o país tem potencial de consumo e uma população interessada em mobilidade. Mas parece que só nós lutamos por isso. Em Brasília, algumas posições são tomadas pensando na eleição de 2022. O político e o poder executivo precisam pensar na sociedade, nas pessoas que precisam de trabalho e renda, na educação e na saúde, principalmente. A situação pela qual estamos passando poderia ser muito menos dramática por conta disso", avalia. Ele conta que a associação vem se reunindo com fornecedores, concessionárias, economistas e médicos sanitaristas para entender melhor a situação, mas que não há outra saída além do controle da pandemia através da vacinação e o comportamento consciente dos cidadãos para diminuir as transmissões.