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Brasil

Após ano difícil, economia brasileira engata recuperação cíclica

Após ano difícil, economia brasileira engata recuperação cíclica

Economista Mansueto Almeida analisou cenário econômico do Brasil durante palestra no BRDE Cenários

Para Mansueto, o setor de serviços ainda está machucado e só terá uma recuperação mais forte no final do ano

O cenário da economia brasileira ainda tem muito em que avançar, mas é muito mais positivo do que o esperado há quatro meses. Essa foi uma das análises compartilhadas pelo economista Mansueto Almeida Júnior durante palestra ao Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) nesta quarta-feira (14). O ano teve um início difícil e com uma série de incertezas. A inflação nos Estados Unidos e o impacto dessa tendência nos juros americanos, que sempre afetam o Brasil, foi uma delas. Mansueto também destaca como desafios a troca do presidente da Petrobras, um orçamento não compatível com o teto de gastos e o aumento do número de mortos pela pandemia, fatores que levaram os analistas a projetarem um crescimento cada vez mais baixo ao país em 2021. Mas, então, o cenário mudou. O governo consertou o orçamento, as empresas aprenderam a trabalhar com o distanciamento e a seguir protocolos de saúde, o PIB voltou ao patamar pré-Covid e os preços das commodities, que representam 80% das exportações brasileiras, começaram a aumentar. "Tudo isso se traduziu num cenário de risco melhor e na previsão de crescimento", explica Mansueto.

Os efeitos da segunda onda da Covid no Brasil não foram tão pesados na economia. Na primeira semana de abril, o movimento em shoppings havia caído 70% em relação ao início de março, mas bastou a chegada de maio para sua plena recuperação. "No ano passado, a recuperação do movimento levou sete meses para ocorrer", compara. Também vêm sendo dias mais positivos para o cenário das relações internacionais, com o Brasil atingindo a melhor situação de balanços de pagamento aos outros países desde 2007 e o investimento direto externo retornando. Outra surpresa positiva, segundo o economista, são os dados da pandemia nos últimos 30 dias, com forte queda na média diária de mortes e de novos números de casos. O avanço da vacinação, que tem alcançado índices de 1,3 milhão de pessoas por dia, contribui para isso.

"Mas não significa que podemos parar por aqui", alerta Mansueto. Para ele, o setor de serviços ainda está machucado e, possivelmente, só terá uma recuperação mais forte no final do ano. A previsão é que o Brasil atinja o nível de 58% da população plenamente vacinada em outubro – foi com esse índice que os Estados Unidos reabriram a economia no último 4 de julho. A esperança é que essa liberação ative o setor, mesmo com a nova cepa que se aproxima e já representa um risco. De maneira geral, o Brasil está engatando numa recuperação cíclica, natural após um ano difícil. "Não significa que o país vai seguir crescendo rápido. Para isso, temos que seguir avançando na agenda de reformas. Mas é um cenário muito melhor do que esperávamos há quatro meses", finaliza.