Que estejamos sendo testemunhas de nossa Lenda da Fênix

A instituição ressurgida das cinzas deve trabalhar com todo o vigor pelo bem de toda cadeia vitivinícola nacional

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

A instituição ressurgida das cinzas deve trabalhar com todo o vigor pelo bem de toda cadeia vitivinícola nacional

Caros leitores deste Blog, como vocês bem sabem, raramente opino neste espaço, pois prefiro destacar as inovações e vitórias do setor em detrimento de contestar essa ou aquela iniciativa. Afinal, no Brasil há tudo por se fazer pelo bom e saudável hábito de beber vinho. Tenho de confessar que me entristece a situação na qual se encontra o Ibravin, pois graças ao trabalho do instituto esse jornalista (e hoje Sommelier e, em parte, formador de futuros Sommeliers) que aqui escreve aprendeu a respeitar o vinho brasileiro por mérito do Ibravin. Há muito tempo, eu costumava beber apenas bebidas produzidas fora do país. No entanto, o setor de comunicação da entidade – que me acompanhava no Twitter – fez uma ação especial enviando várias garrafas de vinhos verde-e-amarelos para degustação. Foi o bastante para eu me dar conta da qualidade do que se produz aqui. Isso também foi uma fagulha para a criação de uma confraria anos mais tarde que ganhou o precioso nome de Bom Vin. Ela era formada por jornalistas que adoravam vinhos (como se sabe, nesse mundo não há preconceito e se prova de tudo de todos os países) e que tinham como princípio dar espaço para as vinícolas brasileiras em seus veículos de atuação. O destino também quis que dessa confraria germinasse a secção gaúcha da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS), entidade que nasceu com o propósito de formar profissionais e transformar o mercado gaúcho (e nacional, pois 30% dos alunos são de outros Estados) através do ensino com altíssima qualidade. Em resumo, caros leitores: corre vinho em meu sangue, como se pode notar. 

Talvez não seja necessária a extinção do Ibravin – mas sim uma remodelação de todos os seus processos internos, alinhados com a boa prática do Compliance (pasmem, leitores: apenas duas vinícolas publicam seus balanços regularmente no Sul do país), ferramenta difundida por AMANHÃ quando ainda não se aplicava a mesma nas empresas Brasil afora. Mais do que brigar por receitas governamentais, o setor deveria se unir – mas se juntar mesmo em torno de suas causas e, quem sabe, oferecendo uma cadeira do Conselho para integrantes de entidades, vinícolas, restaurantes, poder público, universidades, órgãos internacionais de fomento etc. Afinal, o mundo, hoje, é feito de conexões. 

A cadeia vitivinícola brasileira está por passar por um momento que pode ser um divisor de águas – se a gestão for bem direcionada. Explico: aí está um fundo governamental (sim, mais uma vez Brasília vindo nos socorrer) de R$ 120 milhões que prevê a melhoria da competitividade de nossas vinícolas. Em paralelo, começa a tramitar no Congresso a reforma tributária e, dentro de uma década ou um pouco mais (na verdade, os primeiros reflexos já serão sentidos em até quatro anos), iniciará o livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Portanto, está dada a “tempestade perfeita” para que o vinho se torne um produto popular em todas as mesas dos brasileiros. E, como sabemos, ele influencia a cultura, a gastronomia e, sim, até mesmo a saúde. Qualquer que seja o destino do Fundovitis – ou do próprio Ibravin ou da entidade que gerir o fundo – torço para que seus administradores se inspirem nas melhores práticas de gestão e façam um trabalho de comunicação muito forte para que o brasileiro comece a colocar o vinho realmente no seu cotidiano. Há muito que se fazer em todo o Brasil por essa bebida que costuma agregar amizades duradouras. Que estejamos sendo testemunhas de nossa Lenda da Fênix e que a instituição ressurgida das cinzas trabalhe com todo o vigor pelo bem de toda cadeia vitivinícola nacional. 


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