Sul poderá produzir metade do leite brasileiro até 2025

O tema foi tratado no Interleite Sul 2019, em Chapecó

Da Redação

redacao@amanha.com.br

Sul poderá produzir metade do leite brasileiro até 2025

Élido José Ortigara é produtor de leite em Taquaruçu do Sul (RS) e representa a quarta geração da família Ortigara que vive na mesma propriedade. Em 2010, ele iniciou o trabalho de consultoria quando produzia 450 litros de leite por dia, chegando a produzir 1,4 mil litros em 2014. Nos dois anos seguintes, sua produção teve queda. Em 2017, Ortigara decidiu mudar o sistema e construir um Compost Barn, sistema que consiste na criação intensiva de bovinos com o objetivo de melhorar o conforto animal e trazer benefícios à produção. Entre as principais vantagens observadas está o bem-estar animal, fazendo com que as vacas sejam mais imunes contra mastites e outras zoonoses. Atualmente, após 18 meses de adesão ao novo sistema produz 2 mil litros por dia, com uma média de 35 litros por vaca. Com 55 animais na ordenha Ortigara afirmou que teve uma explosão na produção após a adesão do Compost Barn e a meta é, até 2021, dobrar a produção. 

O produtor apresentou os resultados obtidos com o sistema na 9ª edição do Interleite Sul 2019 que ocorreu em Chapecó na quarta-feira (8) e na quinta-feira (9). O seminário tem como foco apresentar as principais mudanças que estão ocorrendo na cadeia, as tecnologias no campo e a aproximação entre indústrias e produtores. Em outro painel, Valter Galan, sócio da MilkPoint Mercado , que explanou sobre as tendências de curto e médio prazos para o setor leiteiro no Brasil. “O Sul tem os maiores produtores de leite. Isso se deve aos sistemas de produção padronizados, perfil das propriedades, colonização e uso de mão de obra familiar que apontam para um modelo produtivo vencedor”, contou. 

O palestrante explicou que o cenário do leite para este ano está relacionado diretamente às questões de oferta e demanda do mercado e também com o desempenho econômico do Brasil. Em relação à produção leiteira no Sul, Galan relatou que há dez anos era 30% menor que a produção brasileira. “Hoje, os números produtivos giram em torno de 40% acima da produção nacional”. O palestrante ressaltou, ainda, que as expectativas são de que até 2025 a região produza mais da metade de todo leite brasileiro. 

A região formada pelo Sudoeste do Paraná, Oeste Catarinense e Noroeste do Rio Grande do Sul pode ser chamada de a “Nova Meca” do leite no Brasil já que apresenta o maior crescimento na produção e é também onde as indústrias de lacticínios têm feito os maiores investimentos nos últimos 10 anos. O Sul reúne três dos principais produtores de leite do país. A região tem uma produção média de 12 bilhões de litros por ano e um crescimento anual de 6% em comparação a outras regiões do Brasil. Juntos, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul somam a maior cadeia produtiva leiteira nacional.  


comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: