Megatendências Ásia

John Naisbitt acertou em cheio a maior parte de suas previsões sobre o que ocorreria por lá, e em particular na China

Por Milton Pomar

John Naisbitt

Esse é o título em português do livro de John Naisbitt, publicado em 1996 (no Brasil, pela Editora Campus, em 1997). A obra trata das “oito megatendências asiáticas que estão transformando o mundo”: “1) De Estados-nações para Redes; 2) Das Tradições às Opções; 3) De Dirigido pelas Exportações a Orientado para o Consumidor; 4) De Controlado pelo Governo a Orientado para o Mercado; 5) Do Campo às Supercidades; 6) De Intensivo em Mão de Obra à Alta Tecnologia; 7) Do Domínio Masculino à Emergência da Mulher; e 8) Do Ocidente ao Oriente” – neste item, ele destaca: “A Ásia já foi o centro do mundo, e agora o centro está retornando de novo à Ásia”. 

Comprei esse livro assim que foi lançado, na volta de minha primeira viagem à China, em 1997, quando o Brasil ainda não se importava com o que estava acontecendo lá – a nossa referência asiática continuava sendo o Japão, e, em menor escala, a Coréia do Sul. Naisbitt acertou em cheio a maior parte de suas previsões sobre o que ocorreria na Ásia, e em particular na China, país sobre o qual evidentemente concentra a maior parte de sua análise, dadas as dimensões e significados do que estava ocorrendo lá desde 1979, com as reformas em sua agricultura, e, a partir de 1980, em todas as áreas. 

É interessante reler o livro nesse momento, no qual o Brasil sinaliza que ficará de fora da “Rota da Seda Século XXI”, a estratégia de logística de integração mundial efetivada pela China a partir de 2015, por ferrovia com a Europa e Ásia Central, e via marítima com o Leste da Ásia e países banhados pelos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico. Denominada oficialmente “One Belt, one Road” (Um Cinturão, uma Rota), essa estratégia é, junto com o programa “Made in China 2025”, de modernização da indústria, o “fecho de ouro” para o programa de reformas iniciado em 1978, que possibilitaram que o país atingisse a condição de maior economia mundial em 2017, pela paridade do poder de compra, e, muito em breve, também pela paridade cambial. 

Há poucos dias, em entrevista ao jornal Valor Econômico, o sociólogo francês Alain Touraine alertou sobre os impactos das transformações profundas que a Ásia, a China à frente, causa no mundo inteiro: “A minha pergunta é em que sociedade viveremos. Que sociedade teremos depois da sociedade industrial? Como será a sociedade que chamo de hipermoderna? Estamos num mundo globalizado, comandado pela rivalidade entre EUA e China. A lógica é o reforço dos dois, da posição da China na América Latina e na África: eles compram terras, matérias-primas, empresas. Agora eles vão fazer a rota da seda chegar à Europa. A história do mundo está sendo configurada há 40 anos pela China.”

Reflexões que nos ajudam a pensar onde o Brasil está nessa nova configuração mundial, e como se prepara para enfrentar a modernização industrial dos Estados Unidos, China e Alemanha, líderes da corrida mundial de inovação tecnológica. Um dado revelador a esse respeito é a ausência, na maioria das universidades brasileiras, de qualquer intercâmbio com universidades chinesas, seja de professores ou de alunos. Outro é a quantidade de estudantes brasileiros que sabem inglês ou outras línguas estrangeiras, inclusive mandarim. 


comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: